Qual terá sido a intenção dos responsáveis pela publicidade de “Cabeça a prêmio” ao escolherem a frase de venda reproduzida no anúncio do filme publicado no tablóide Rio Show, do “Globo”, dia 20 de agosto? Em posição de destaque, acima do título, com letras em caixa alta e corpo assegurando boa legibilidade, a única dedução possível é terem atribuído poder de atração à frase entre aspas, assinada por Rodrigo Fonseca e publicada originalmente no próprio “Globo”: “Estreia surpreendente de Marco Ricca na direção”. Continua...
Motivado pelo comentário publicado na piauí 47 sobre “5X Favela – Agora por Nós Mesmos”, Armando Freitas Filho levanta algumas questões, mesmo sem ter visto o filme. Continua...
Leitor diário, há anos, da coluna “Panorama econômico”, publicada no “Globo”, sou admirador incondicional da jornalista Míriam Leitão, cujo programa na “Globo News”, com frequência, também assisto com prazer. Continua...
Sábado passado foi um dia frio e chuvoso no Rio. Confirmando a retificação que Juliano Gomes, cinéfilo devoto, me levou a fazer em post anterior (clique aqui para ler), a primeira sessão de “Coral de Tóquio”, no Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB, lotou. Filme silencioso, em preto e branco, dirigido por Yosujiro Ozu em 1931, a projeção foi acompanhada por narração de Angela Nagai e música executada por Felipe Veiga (percussão) e Tamie Kitahara (shamisen – instrumento de cordas). Continua...
Duas publicações recentes, editadas na França, oferecem novos acessos à obra de Jean Rouch. Continua...
Jean Rouch gostava de citar Henri Langlois (1914-1977) – um dos fundadores da Cinemateca francesa –, para quem “cineastas nunca morrem, pois toda vez que seus filmes são projetados, eles revivem”. Continua...
Cinéfilo devotado, Juliano Gomes mandou email em defesa dos cariocas, corrigindo afirmação que fiz sobre a retrospectiva Ozu no post de 2 de agosto, “Retrospectiva Ozu – sobriedade e contenção”. Continua...
Sexta-feira à tarde, dia da estréia de “A Origem”, havia uma pequena fila diante da bilheteria do cinema Bristol, na avenida Paulista. A sala não chegou a lotar para a sessão das 15h15, mas havia bom público para ver o filme escrito, produzido e dirigido pelo britânico Christopher Nolan, de 39 anos, diretor, entre outros, de “Batman Begins” (2005) e “Batman – O Cavaleiro das trevas” (2008).
Desenvolvido ao longo de 9 anos, depois da versão final do roteiro ser escrita por 6 meses, “A Origem” foi filmado entre junho e novembro de 2009, em locações espalhadas pelo mundo, de Tóquio a Calgary, passando por Londres, Paris e Los Angeles. Continua...
“400 contra 1” começa com uma legenda que não faz sentido. Seguem-se os acordes da trilha musical tonitruante que por si só arruina o filme.
Ao acabar de ler a explicação inicial, a única atitude cabível, para quem tenha respeito próprio e senso de dignidade, é levantar e ir embora.
Dirigido por Caco Souza, “400 contra 1” deve ser um caso raro na história do cinema – antes do segundo minuto de projeção, o espectador já perdeu vontade de continuar assistindo o filme. Continua...
Reconheço que é preciso dedicação para ir ao Centro Cultural Banco do Brasil, no centro do Rio, numa linda tarde de domingo como a de ontem, para ver um filme silencioso e incompleto. No caso, estava sendo exibido “Mãe tem que ser amada”, dirigido por Yasujiro Ozu em 1934. O filme integra a retrospectiva que irá até 22 de agosto, depois de ter sido exibida em São Paulo. Continua...
Armando Freitas Filho volta a escrever, desta vez em estado de graça depois de ter visto "Uma noite em 67". Transcrevo o email dele que me parece traduzir com precisão o sentimento de quem, como eu também, assistiu a transmissão ao vivo da final do Festival da Record: “Fiquei totalmente tomado pelo filme de Renato Terra e Ricardo Calil, "Uma noite em 67". Continua...
Antes mesmo de ter lido o post de sexta-feira (leia aqui), Armando Freitas Filho mandou email, a propósito do comentário publicado na piauí_46 sobre “O Bem Amado” (leia aqui), dando outro exemplo da orquestração promocional em torno do filme, feita por empresas das Organizações Globo: Continua...
Em abril, quando “Chico Xavier” foi lançado, comentei (releia: Chico Xavier - o filme e Chico Xavier - promoção orquestrada II) o que mais parecia campanha promocional do que cobertura jornalística, feita por emissoras de televisão associadas à produtora Globo Filmes. Continua...
Pessoas da minha laia deixaram de ver, na época, os Dzi Croquettes. Preconceituosos, perdemos a oportunidade de testemunhar os espetáculos do grupo, raro exemplo de ousadia, criatividade e talento. Continua...
Thais,
Depois de “Bastardos inglórios”, não pretendia mais ver filmes do Quentin Tarantino. Mas deveres do ofício me submeteram a “À prova de morte”. Lançado só agora no Brasil, depois de ter sido considerado uma afronta por alguns no Festival de Cannes de 2007, o filme foi feito dois anos antes de “Bastardos inglórios”. Continua...
Alain Resnais fez 88 anos no início de junho. Em entrevista publicada no “Guardian”, e reproduzida no Caderno2 de “O Estado de S.Paulo” em 27/6/2010, declarou:
“É preciso lembrar que o cinema dos anos 50 se especializou no entretenimento escapista. E nós, quero dizer, minha geração de cineastas franceses, buscamos fugir desse escapismo. Éramos jovens e ambiciosos, queríamos tratar das grandes questões das quais o cinema preferia desviar os olhos – no meu caso, o Holocausto, a bomba atômica, a guerra argelina. Continua...
“Ser crítico é melancólico. Crítico de cinema então é desolador a julgar pelos resultados obtidos durante os últimos quarenta anos.” – assim escreveu Paulo Emílio ( 1916 – 1977 ) no artigo “Desnecessidade da inteligência”, publicado em março de 1963 no Suplemento Literário de “O Estado de S.Paulo”. Continua...
Em dois sábados recentes, à noite, as sessões de “A jovem rainha Vitória” e “Brilho de uma paixão” estavam lotadas em cinemas da zona sul do Rio. Parece haver algum público, no Brasil, para produções como essas – filmes de época, situados na primeira metade do século XIX, com boas atrizes e bons atores, belas locações, além de fotografia, direção de arte e figurinos de qualidade. Continua...
Todo biógrafo deveria levar em conta o que o cineasta canadense Claude Jutra (1930-1986) declarou sobre Jean Rouch (1917-2004), a quem admirava: “Uma crônica da aventura rouchiana, com certeza é um projeto excitante, mas do qual me aproximo com cautela. Nunca admiramos sem reservas. Qualquer tributo contém alguma denúncia. Nenhum elogio merece confiança se não contiver um certo grau de maldade.” A citação é tirada de “Correndo atrás de Rouch”, relato de Claude Jutra, publicado no Cahiers du Cinéma, sobre sua colaboração com Jean Rouch, em 1961, fazendo a quatro mãos o documentário “Nigéria, jovem república”. Continua...
Nos dois últimos posts me referí a “Elevado 3.5”, sem propriamente comentar o documentário dirigido por João Sodré, Maíra Bühler e Paulo Pastorelo. Credenciado como o melhor da competição brasileira, no Festival É Tudo Verdade de 2007, “Elevado 3.5” deriva de “Edifício Master”, dirigido por Eduardo Coutinho, em 2002. Continua...
Como contei no último post, há 15 dias saí de Toronto, onde Atom Egoyan filmou “O preço da traição”(“Chloe”), cruzei a Paulista e fui até o Minhocão*, onde João Sodré, Maíra Bühler e Paulo Pastorelo gravaram “Elevado 3.5”, escolhido melhor documentário da competição brasileira, no festival É Tudo Verdade de 2007. Na única sessão daquela sexta-feira, havia umas dez pessoas no cinema. Continua...
Certas imagens são inesquecíveis. Um exemplo é o plano do ônibus escolar, lotado de crianças, afundando lentamente no lago coberto de gelo, em “O Doce amanhã” (1997), dirigido por Atom Egoyan. O filme causa profundo malestar, ao confrontar o espectador com a morte por afogamento de um grupo de meninos e meninas, acidente que abala uma pequena cidade americana. Continua...
Recebi de Armando Freitas Filho, godardiano confesso, o email transcrito a seguir, em que ele comenta o texto publicado na piauí deste mês sobre o documentário “Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague”. Continua...
“Ao sul da fronteira” termina com a célebre “South American Way”, lançada por Carmen Miranda e o Bando da Lua, nos Estados Unidos, em 1939, e regravada nas décadas seguintes por várias cantoras e cantores. Continua...
Ao comentar o documentário Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague, na piauí deste mês, não mencionei a amizade como um dos fatores de identificação entre os diferentes movimentos de renovação do cinema, contemporâneos à nouvelle vague – caso do Cinema Novo, por exemplo. Continua...
Uma crítica americana chamou “Mademoiselle Chambon” de “Desencanto” francês, o que só se explica pela recorrente tendência da indústria cultural para fazer versões banalizadas de obras de alta qualidade. Continua...
Na forma narrativa constituída entre 1895 e 1929, e que permanece dominante, o espectador deixa de lado a descrença para poder apreciar cinema de ficção. Para resistirem ao escrutínio da nossa incredulidade, e poderem servir de entretenimento, filmes feitos de acordo com os parâmetros do “modo de representação institucional – M.R.I.” dependem da suspension of disbelief, noção que teria sido formulada no início do século XIX. Continua...
Em forma de memórias póstumas, o roteiro de “Quincas Berro D’Água” resultou em armadilha da qual o próprio filme não conseguiu escapar.
Ao contrário da adaptação para o cinema, a novela de Jorge Amado não é narrada de além-túmulo. Na terceira pessoa, o narrador declara que tentará, mesmo sendo “impossível”, decifrar o “mistério da morte (ou das sucessivas mortes)” – uma moral e duas físicas – do personagem conhecido como Quincas Berro D´Água. E começa a narrativa literária dizendo que “até hoje permanece certa confusão em torno da morte” dele. Continua...
Cao Guimarães, diretor de “A alma do osso”, define-se como “um autor independente, com liberdade para fazer o filme do jeito que quer”. Ao traçar esse perfil de si mesmo, em matéria publicada no “Globo” de terça-feira (25/5/2010), revela o que tornou possível fazer o extraordinário conjunto de filmes que vem realizando desde “O fim do sem fim”, em 2001. Continua...
Na única sessão de sexta-feira, dia da estreia, em São Paulo, havia umas vinte pessoas vendo “Solo”, dirigido por Ugo Giorgetti. Deserções não foram notadas e, no final da projeção, o filme foi aplaudido. Lançado só em um cinema, mantendo a média de frequência, poderá ser visto por cerca de 140 pessoas até quinta-feira. Continua...
Juan Pablo Escobar / Sebastián Marroquín, filho de Pablo Escobar, diz no documentário ter se arrependido da declaração de que iria se vingar ( “Vou matar os canalhas que fizeram isso.” ), feita logo em seguida ao assassinato do seu pai. Juan Pablo/Sebastián agora busca reconciliação com os filhos de dois políticos colombianos, assassinados supostamente por ordem de Pablo Escobar, e “Pecados do meu pai” parece feito para servir esse propósito. Continua...
“Pecados do meu pai”, documentário de 2009, registra uma operação de relações públicas que parece ter sido instigada pelo próprio realizador e co-produtor argentino Nicolas Entel.
Graduado em direção cinematográfica pela Universidade do Cinema, em Buenos Aires, pós-graduado em Administração de Broadcasting na Universidade de Boston, Nicolas Entel divide seu tempo entre Buenos Aires e Nova Iorque. Por formação, e graças à sua base de trabalho multinacional, parece entrosado com a concepção dominante de como deve ser um documentário. Continua...
Há várias batalhas no filme dirigido por Ridley Scott. A última começou na semana passada, quando “Robin Hood” teve lançamento mundial em cerca de 10 mil cinemas, depois de ser exibido na abertura do Festival de Cannes. No Brasil, desde sexta-feira está em mais de 400 salas; nos Estados Unidos, em 3,5 mil. Continua...
Eventuais leitoras e leitores deste blog, que por acaso também tiverem lido ou venham a ler a piauí_44, poderão estranhar o fato das “questões cinematográficas” serem dedicadas a “O Profeta”, filme que não está em exibição. De fato, desde agosto de 2009, quando a página começou a ser publicada na revista, temos procurado tratar de filmes que possam ser vistos no período em que a “piauí” estiver nas bancas. De preferência, comentando produções que estejam para ser lançadas ou cuja estréia coincida com a publicação de cada novo número. Continua...
Poucas vezes um final feliz terá sido tão aberrante quanto em “Os EUA contra John Lennon”. O clímax do documentário é o momento em que o “estrangeiro indesejado”, como John Lennon chegou a ser chamado, recebe o “green card”, legalizando a permanência dele, como residente, nos Estados Unidos. Depois de cinco anos de luta, a vitória ocorre no dia do aniversário dele e do nascimento do seu filho. O que aconteceu apenas quatro anos depois, em 1980, não chega a ser ignorado de todo, mas se reduz ao som de tiros e a imagens de pessoas chorando na vigília fúnebre. Yoko Ono comparece para coroar a mistificação. Nas palavras dela, “tentaram matar John mas não conseguiram, por que a mensagem dele está viva”. Continua...
São 30 dias cruzando o agreste nordestino para fazer uma pesquisa geológica. Narrada em forma de diário, a viagem tem o propósito de pesquisar o trajeto de um canal a ser construído – referência provável à transposição do rio São Francisco. “Por que insistem em fazer essa obra aqui?”, pergunta o geólogo na voz off que conduz a narrativa. “Na verdade, não é problema meu”, conclui. Continua... Continua...
Escolhido melhor documentário da competição brasileira do festival É Tudo Verdade deste ano ( 8 a 18 de abril ), “Terra Deu, Terra Come”, produzido, dirigido e editado por Rodrigo Siqueira, é uma proeza. De um lado, revela um personagem singular, morador de uma comunidade isolada, vinculada a valores arcaicos; de outro, elabora linguagem sofisticada, estabelecendo um novo patamar para o cinema que procura desvendar os mistérios do mundo. Continua...
Ao escrever sobre “Utopia e Barbárie” no “Globo”, Érico Reis extrapolou sua função de crítico. Além de dizer que “é um belo doc sem roteiro” que “atinge um grau de abrangência bem satisfatório”, afirmou que “seria mais digno suprimir” um depoimento, sem nomear a qual estava se referindo. Continua...
Dilatei as pupilas e fui ver “Alice”. Lera de manhã que era um filme lisérgico. Achei, por isso, que a falta de nitidez da minha visão seria um plus. Continua...
Apesar de não se considerar um documentarista, mas um “filmador”, como mencionei no primeiro destes três posts, Alain Cavalier realizou duas séries de doze documentários, com o título de “Retratos”, uma em 1987, outra em 1991. Cinco deles foram exibidos na retrospectiva do festival “É Tudo Verdade”. Continua...
Nos últimos dias, conheci Alain Cavalier. Graças à retrospectiva apresentada no festival É Tudo Verdade, encerrado ontem, vi "Esta secretária eletrônica não grava recados" (1978), "O Encontro" (1996), "O Homem-cinema" (2004) e "Irène" (2009), além de cinco documentários da série "Retratos", realizados em 1987 e 1991. Continua...
Tendo recebido, no final de março, o Grande Prêmio do festival Cinéma du Réel, promovido no Centre Pompidou, em Paris, 48 foi exibido esta semana na competição internacional do festival É Tudo Verdade. O título se refere à duração da ditadura de Oliveira Salazar, em Portugal, de 1926 a 1974. Continua...
Tendo recebido o segundo prêmio do público no último Festival de Berlim, "Budrus" participa da mostra competitiva internacional do É Tudo Verdade por ser produção americana, embora a diretora Julia Bacha seja brasileira. Continua...
Exibido na sessão de abertura do festival É Tudo Verdade, no Rio, Segredos da tribo, dirigido por José Padilha, é exemplar do documentário que trata de assunto relevante sem encontrar a linguagem adequada para dar conta das questões que aborda. Continua...
Não conheço Alain Cavalier. Lembro de ter lido, há muitos anos, referências a ele no Cahiers du Cinéma, mas salvo falha de memória, não vi nenhum de seus filmes. Ou melhor, vi um, no sábado passado – um curtametragem de sete minutos, em forma de carta, feito para explicar sua ausência na retrospectiva dedicada a ele pelo festival de documentários É Tudo Verdade. Continua...
Pretensão sem lastro é das piores coisas que pode haver. No cinema, então, mais ainda do que em outros meios de expressão. Isso, talvez, por que o cinema tem, de nascença, um pé no entretenimento – um de seus encantos e de suas maldições. Continua...
Ambição bem dosada é indispensável. No cinema, talvez por que o fascínio que exerce vem de ser reinventado a cada filme. Continua...
Promoção ou jornalismo? Repito a pergunta, feita no post de quinta-feira (1/4/2010), por que a dúvida persiste. Mesmo sendo dia do centenário de nascimento de Chico Xavier, a Globo News teria dedicado cerca de dez minutos do Jornal das 10 de ontem (2/4/2010) a uma entrevista de Marcel Souto Maior, autor de As Vidas de Chico Xavier, se o filme dirigido por Daniel Filho, baseado nessa biografia, não estivesse em cartaz? Teria incluído ainda, no mesmo jornal, matéria estapafúrdia sobre a relação de Chico Xavier com Juscelino Kubitschek? Continua...
Quem assistir ao filme dirigido por Daniel Filho até o fim poderá ver, incluídos com os créditos rotativos finais, trechos da entrevista de Chico Xavier, dada ao programa Pinga Fogo, da TV Tupi, em 1971. É verdade que a entrevista está disponível em DVD e no YouTube, tornando desnecessário ver todo Chico Xavier só para isso. De qualquer modo, o que se vê na entrevista é uma pessoa simples e bem humorada, distante das interpretações graves e atormentadas de Ângelo Antonio e Nelson Xavier. Continua...
Promoção ou jornalismo? Difícil responder, diante dos dois programas sobre Chico Xavier exibidos na Globo News e das inúmeras referências ao filme dirigido por Daniel Filho, feitas em colunas do jornal O Globo, nos últimos dias Continua...
“Eu sinto que o que está errado com a indústria cinematográfica japonesa hoje é que a questão do marketing dominou o processo de tomada de decisão sobre qual filme será feito. Não há nenhuma maneira que pessoas de marketing – no nível em que se encontram seus cérebros – possam entender o que vai ser um bom filme e o que não vai, e é realmente um erro lhes dar hegemonia sobre tudo isso. As produtoras estão na defensiva. Continua...
Exibido nesta madrugada um pouco depois do horário previsto de 0h30’, e reprisado às 11h, “Diário de uma crise”, dirigido por Sandra Kogut, será exibido, uma terceira vez, às 21h de hoje no GNT. Continua...
Para homenagear Akira Kurosawa no centenário do seu nascimento, transcrevo o comentário recebido de uma jovem estudante. Continua...
Estando em São Paulo na sexta-feira, com a avenida Paulista paralisada por uma manifestação de professores estaduais, entre uma elogiada comédia turca-alemã, “Soul Kitchen”, falada em alemão, imagino, e mais um filme de título mal traduzido, “Disengagement”, fiquei com a opção dirigida por Amos Gitai, uma produção alemã, italiana, israelense e francesa. Continua...
Em artigo sobre “Ilha do medo”, publicado no “Financial Times” em outubro do ano passado, e republicado, em versão resumida, no caderno “mais” da “Folha de S.Paulo” (para assinantes), em dezembro, Simon Schama define o filme dirigido por Martin Scorsese como sendo “um triunfo do que poderíamos chamar de entretenimento pesado.” E completa: “mas só no sentido que trechos de ‘King Lear’ também são.” Continua...
Epígrafes estão sob suspeita, pelo menos desde que Werner Herzog inventou uma para seu filme sobre a Guerra do Golfo, “Lições da escuridão”, em 1992, e a atribuiu a Pascal. Continua...
Em matéria de adendo infeliz, “a busca da verdade” é dos mais tristes. Fora o lugar comum, trai a essência do filme dirigido por Bong Joon-ho que, justamente, questiona a possibilidade de conhecer a verdade. É mais um caso de deformação ao batizar um filme em português. Continua...
Nesta altura, dificilmente alguém interessado em cinema não saberá que, além dos dois prêmios principais - melhor filme e diretor, "Guerra ao terror" recebeu outros quatro Oscar ontem à noite: roteiro original, montagem, mixagem e edição de som.
Continua...
Apenas duas letras diferenciam Grinberg de Grimbert. A mudança de grafia, porém, mesmo pequena, é indício de negação da própria identidade, e de tentativa de ocultar o passado. No caso, negar a origem foi via de salvação; admitir ser judeu levou ao naufrágio.
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Indicado para quem aprecie ser chantageado – emocionalmente, quero dizer – o adendo ao título em português de “Precious – uma história de esperança” – acentua o que no próprio filme não chega a ser tão piegas assim.
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Eventuais leitoras e leitores deste blog, que por acaso tenham lido também os números 38 e 40 (novembro de 2009 e janeiro de 2010) da piauí, devem ter estranhado a publicação de comentários sobre “Jards Macalé – Um morcego na porta principal” e “Os Inquilinos”.
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Seria razoável esperar mais do que “Pachamama” tem a oferecer. Resultante da travessia do Brasil, a caminho do Peru e da Bolívia “para saber o que está acontecendo por lá”, o documentário dirigido por Eryk Rocha acaba parecendo um álbum de lembranças feito por um turista.
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Sempre que vejo filmes argentinos ou iranianos, pergunto a mim mesmo se algum filme brasileiro estará sendo exibido em Buenos Aires ou Teerã. Mesmo sem saber ao certo, imagino que não. Parece pouco provável, por exemplo, que “Os inquilinos” ou “Pachamama”, para citar apenas dois filmes em exibição, no Brasil, ao mesmo tempo que “O Segredo dos seus olhos”, cheguem a ser exibidos comercialmente fora do país.
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Produzido por US$ 6,5 milhões, custo baixíssimo para o padrão americano, “O Mensageiro” foi exibido nos Estados Unidos 50 salas, por 14 semanas, e rendeu apenas cerca de US$ 890 mil. Ao contrário de “Os Melhores anos de nossas vidas”, é um fracasso comercial retumbante, seguindo a tendência dos filmes que tratam dos conflitos nos quais os Estados Unidos estão envolvidos.
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Humpty Dumpty cai do muro e nem todos os cavalos/nem todos os homens do rei/conseguem juntar de novo seus pedaços. Pudera – o personagem da canção de ninar, conhecido de crianças educadas em inglês, tem a forma de um ovo.
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Mais estranho do que o título do filme dirigido por Beto Brant é a maneira como ele foi lançado. No Rio, ao menos, em um único cinema, com só uma sessão por dia, às 10 da noite, na sexta-feira, véspera do carnaval.
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Michael Haneke, diretor de “A fita branca”, foi um excelente antídoto para o carnaval. Comentarei o filme na edição de março da piauí. Por enquanto, registro apenas o fato de que o lançamento acontece, no Brasil, entre o prêmio Golden Globe de melhor filme em língua estrangeira e a entrega do Oscar, em 7 de março, quando concorrerá ao mesmo prêmio e também ao de melhor fotografia, com Christian Berger.
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Os blogs da piauí sairão em mais de quarenta blocos neste Carnaval.
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Escrito ao longo de onze anos e mantido inédito até ser incluído em “Exercícios de leitura”, o ensaio de Gilda de Mello e Souza “O salto mortal de Fellini”, relido depois da revisão de “8 1/2”, revela acuidade crítica incomum.
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Ao entregar o ingresso, custei a entender o que o porteiro me dizia. Na terceira repetição, o termo que nunca tinha ouvido ficou claro. Aquela sessão de “Nine”, na quinta-feira (11 de fevereiro), às 14 horas, na sala 6 do Unibanco Arteplex, no Rio, fazia parte do projeto “Cinematerno”, dedicado a mães de recém-nascidos.
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O maior mérito de “Nine”, dirigido por Rob Marshall, é motivar a revisão de “8 ½”, de Federico Fellini. Fora isso, haveria pouco a comentar. O filme demonstra o modo de funcionamento de uma certa imaginação norte-americana: “deseja a coisa verdadeira e para atingi-la deve realizar o falso absoluto” (Umberto Eco, “Viagem na irrealidade cotidiana”, 1984, p.14). Continua...
Depois de premiado em diversos festivais, “VJs de Mianmar” foi escolhido melhor documentário da competição internacional, em 2009, no Festival É Tudo Verdade. Agora, vem de ser selecionado para concorrer ao Oscar. Continua...
Será preciso dizer onde o diretor Elia Suleiman nasceu para comentar “O Tempo que resta”? Faz diferença se a história é ou não autobiográfica? É preciso mencionar que, além de diretor, roteirista e co-produtor, ele também é ator? E a semelhança dele com os mestres da autoironia, deve ser apontada? É importante saber se o filme foi premiado em algum festival?
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Beatriz, desde que a Thais subiu a serra para fugir do calor, fiquei desorientado, sem saber bem o que ver e o que achar do que vejo. De tão concentrada, nem email ela escreve mais. Por isso, adorei saber que vocês tinham gostado do filme do Spike Jonze. E lá fui eu, esperando concordar. Meio desconfiado, mas fui.
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Diante do filme dirigido por Clint Eastwood, o clichê é irresistível. “A pátria de chuteiras” expressa de forma simples e direta o tema de “Invictus”. Um arriscado e bem sucedido lance de “marketing” político, ao ser transposto para o cinema, parte da premissa de que o esporte pode contribuir para cicatrizar feridas históricas. Alguém realmente acredita nisso?
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Ele quis sair antes do fim. É verdade que a sessão do Estação Vivo Gávea, no Rio, na quinta-feira, 4 de fevereiro, às 17 horas, foi tumultuada. Quando o filme estava perto da metade, a imagem começou a piscar. Depois de alguns segundos de ameaça às retinas da platéia, saí para pedir providências. O funcionário que encontrei reagiu com total indiferença, mas deu a entender que verificaria o problema. A projeção continuou a piscar.
Continua...
Meu amigo Nilton diz que Luiz Carlos Barreto está no papel dele, alardeando o fracasso de “Lula, o Filho de Brasil”. Pode ser. Estranho é “O Globo” ( 28/1/2010 ) dar meia página, no primeiro caderno, a esse esforço de prestidigitação, onze dias depois de publicar página inteira tratando do mesmo assunto.
Continua...
Diante dos filmes de Joel e Ethan Coen é preciso ter cautela. “Um homem sério”, por exemplo, tem uma epígrafe atribuída a Rashi: “Receba com simplicidade tudo que acontece a você”.
Continua...
Em defesa da diversidade, José Joffily, Lucia Murat e Murilo Salles vêm a público para apoiar Domingos de Oliveira, por meio do artigo “O resto são efemérides”, publicado no “Globo”, em 30 de janeiro. Concordam com a afirmação feita por ele de que não há indústria de cinema no Brasil. A esse respeito, parece estar sendo forjado um certo consenso. Ainda assim, os três cineastas respeitam “os movimentos institucionais que desejam montar essa indústria”.
Continua...
Domingos de Oliveira está certo ao considerar que “há alguma coisa errada. Na base.” No artigo “Uma nova receita para o cinema brasileiro”, publicado no “Globo”, em 27 de janeiro, ele afirma que o cinema brasileiro não é uma indústria. E que “o filme estrangeiro domina o mercado, e não temos chance de competir”.
Continua...
Considerando que os parâmetros básicos da atividade cinematográfica no Brasil são os indicados na primeira parte deste post, o que leva o cinema a ser tratado como indústria? Por trás dessa postura, não estará apenas uma tática persuasiva? Continua...
“O risco-cinema”, matéria publicada no Segundo Caderno do “Globo”, em 17 de janeiro, apresenta números eloquentes. Assinada por André Miranda, indica tendência de queda acentuada na captação de recursos, entre 2008 e 2009, e resultados de bilheteria deficitários de alguns filmes; comprova, desse modo, que a renúncia fiscal, permitida por lei desde 1993, não está propiciando um processo de acumulação que permita à atividade cinematográfica tornar-se, um dia, autossustentável no Brasil.
Continua...
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